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terça-feira, 2 de maio de 2017
Texto - A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil
A Vinda da Família Real ao
Brasil:
No começo do
século XIX, a Europa estava agitada pelas guerras. Inglaterra e França
disputavam a liderança no continente europeu. Em 1806, Napoleão Bonaparte,
imperador da França, decretou o Bloqueio Continental, proibindo que qualquer
país europeu comercializasse com a Inglaterra. O objetivo do bloqueio era
arruinar a economia inglesa. Quem não obedecesse, seria invadido pelo exército
francês.
O Bloqueio Continental:
Portugal estava
numa situação delicada. Nessa época, Portugal era governado pelo príncipe
regente D. João, pois sua mãe, a rainha D. Maria I, enlouquecera. D. João não
podia cumprir as ordens de Napoleão e aderir ao Bloqueio Continental, pois
tinha longa relação comercial com a Inglaterra, por outro lado o governo
português temia o exército francês.
Sem outra alternativa,
Portugal aceitou o Bloqueio, mas, continuou comercializando com a Inglaterra.
Ao descobrir a trama, Napoleão determinou a invasão de Portugal em novembro de
1807. Sem condições de resistir à invasão francesa, D. João e toda a corte
portuguesa fugiram para o Brasil, sob a proteção naval da marinha inglesa. A
Inglaterra ofereceu escolta na travessia do Atlântico, mas em troca exigiu a
abertura dos portos brasileiros aos navios ingleses.
A corte portuguesa partiu às pressas
de Lisboa sob as vaias do povo, em 29 de novembro de 1807. Na comitiva vinham
D. João, sua mãe D. Maria I, a princesa Carlota Joaquina; as crianças D.
Miguel, D. Maria Teresa, D. Maria Isabel, D. Maria Assunção, D. Ana de Jesus
Maria e D. Pedro e aproximadamente de 15 a 20mil pessoas entre nobres,
militares, religiosos e funcionários da Coroa. Trazendo tudo o que era possível
carregar; móveis, objetos de arte, jóias, louças, livros, arquivos e todo o
tesouro real imperial.
O Embarque da Família Real:
Após 54 dias de
viagem a esquadra portuguesa chegou ao porto de Salvador na Bahia, em 22 de
janeiro de 1808. Lá foram recebidos com festas, onde permaneceram por mais de
um mês.• Seis dias após a chegada D. João cumpriu o seu acordo com os ingleses,
abrindo os portos brasileiros às nações amigas, isto é, a Inglaterra.
Eliminando em parte o monopólio comercial português, que obrigava o Brasil a
fazer comércio apenas com Portugal.
Mas o destino da
Coroa portuguesa, era a capital da colônia, o Rio de Janeiro, onde D. João e
sua comitiva desembarcaram em 8 de março de 1808 e onde foi instalada a sede do
governo.• Na chegada ao Rio de Janeiro, a Corte portuguesa foi recebida com uma
grande festa: o povo aglomerou-se no porto e nas principais ruas para
acompanhar a Família Real em procissão até a Catedral, onde, após uma missa em
ação de graças, o rei concedeu o primeiro "beija-mão".
Rio de Janeiro em 1808:
A transferência da corte portuguesa
para o Rio de Janeiro provocou uma grande transformação na cidade. D. João teve
que organizar a estrutura administrativa do governo. Nomeou ministros de
Estado, colocou em funcionamento diversas secretarias públicas, instalou
tribunais de justiça e criou o Banco do Brasil (1808).
Era preciso
acomodar os novos habitantes e tornar a cidade digna de ser a nova sede do
Império português. O vice-rei do Brasil, D. Marcos de Noronha e Brito cedeu sua
residência, O Palácio dos Governadores, no Lago do Paço, que passou a ser
chamado Paço Real, para o rei e sua família e exigiu que os moradores das
melhores casas da cidade fizessem o mesmo. Duas mil residências foram
requisitadas, pregando-se nas portas o "P.R.", que significava
"Príncipe Regente", mas que o povo logo traduziu como "Ponha-se
na Rua".
Prédios públicos,
quartéis, igrejas e conventos também foram ocupados. A cidade passou por uma
reforma geral: limpeza de ruas, pinturas nas fachadas dos prédios e apreensão
de animais.• As mudanças provocaram o aumento da população na cidade do Rio de
Janeiro, que por volta de 1820, somava mais de 100 mil habitantes, entre os
quais muitos eram estrangeiros – portugueses, comerciantes ingleses, corpos
diplomáticos – ou mesmo resultado do deslocamento da população interna que
procurava novas oportunidades na capital.
As construções
passaram a seguir os padrões europeus. Novos elementos foram incorporados ao
mobiliário; espelhos, bibelôs, biombos, papéis de parede, quadros, instrumentos
musicais, relógios de parede.
Com a Abertura dos
Portos (1808) e os Tratados de Comércio e Navegação e de Aliança e Amizade
(1810) estabelecendo tarifas preferenciais aos produtos ingleses, o comércio
cresceu. O porto do Rio de Janeiro aumentou seu movimento que passou de 500
para 1200 embarcações anuais.• A oferta de mercadorias e serviços
diversificou-se. A Rua do Ouvidor, no centro do Rio, recebeu o cabeleireiro da
Corte, costureiras francesas, lojas elegantes, joalherias e tabacarias. A
novidade mais requintada era os chapéus, luvas, leques, flores artificiais,
perfumes e sabonetes.
Para a elite, a
presença da Corte e o número crescente de comerciantes estrangeiros trouxeram
familiaridade com novos produtos e padrões de comportamento em moldes europeus.
As mulheres seguindo o estilo francês; usavam vestidos leves e sem armações,
com decotes abertos, cintura alta, deixando aparecer os sapatos de saltos
baixos. Enquanto os homens usavam casacas com golas altas enfeitadas por lenços
coloridos e gravatas de renda, calções até o joelho e meias. Embora apenas uma
pequena parte da população usufruísse desses luxos.
Mudanças que aconteceram:
Sem dúvida, a vinda de D. João deu
um grande impulso à cultura no Brasil.
Em abril de 1808, foi criado o
Arquivo Central, que reunia mapas e cartas geográficas do Brasil e projetos de
obras públicas. Em maio, D. João criou a Imprensa Régia e, em setembro, surgiu
a Gazeta do Rio de Janeiro. Logo vieram livros didáticos, técnicos e de poesia.
Em janeiro de 1810, foi aberta a Biblioteca Real, com 60 mil volumes trazidos
de Lisboa. Criaram-se as Escolas de Cirurgia e Academia de Marinha (1808), a
Aula de Comércio e Academia Militar (1810) e a Academia Médico-cirúrgica
(1813). A ciência também ganhou com a criação do Observatório Astronômico
(1808), do Jardim Botânico (1810) e do Laboratório de Química (1818). Biblioteca
nacional:
Em 1813, foi
inaugurado o Teatro São João (atual João Caetano). Em 1816, a Missão Francesa,
composta de pintores, escultores, arquitetos e artesãos, chegaram ao Rio de
Janeiro para criar a Imperial Academia e Escola de Belas-Artes. Em 1820, foi a
vez da Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura-civil.
CURIOSIDADE: O Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1909,
portanto não havia mais o Império.
A presença de
artistas estrangeiros, botânicos, zoólogos, médicos, etnólogos, geógrafos e
muitos outros que fizeram viagens e expedições regulares ao Brasil – trouxe
informações sobre o que acontecia pelo mundo e também tornou este país
conhecido, por meio dos livros e artigos em jornais e revistas que aqueles
profissionais publicavam. Foi uma mudança profunda, mas que não alterou os
costumes da grande maioria da população carioca, composta de escravos e
trabalhadores assalariados.
Em 1818 com a
morte da rainha D. Maria I, Dom João foi proclamado e coroado Dom João VI, Rei
de Portugal e do Brasil. A aclamação de D. João VI aconteceu nos salões do
Teatro de São João.
Com a vitória das nações européias
contra Napoleão em 1815, ficou decidido que os reis de países invadidos pela
França deveriam voltar a ocupar seus tronos.• D. João e sua corte não queriam
retornar ao empobrecido Portugal. Então o Brasil foi elevado à categoria de
Reino Unido de Portugal e Algarves (uma região ao sul de Portugal). O Brasil
deixava de ser Colônia de Portugal, adquiria autonomia administrativa.•
Em 1820, houve em
Portugal a Revolução Liberal do Porto, terminando com o Absolutismo e iniciando
a Monarquia Constitucional. D. João deixava de ser monarca absoluto e passava a
seguir a Constituição do Reino. Dessa forma, a Assembléia Portuguesa exigia o
retorno do monarca. O novo governo português desejava recolonizar o Brasil,
retirando sua autonomia econômica.
Em 26 de abril de
1821, D. João VI cedendo às pressões, volta a Portugal, deixando seu filho
D.Pedro como príncipe regente do Brasil.
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